Thiago Xavier, da Conartes: “Terrenos na Centro-Sul, só se houver demolições”

O desequilíbrio entre oferta e demanda tem levado os aluguéis de imóveis comerciais às alturas em Belo Horizonte. Nos últimos 12 meses, o aumento foi de 11,08%, mais do que o dobro da inflação (5,51%).

Os principais responsáveis pela alta são os andares corridos, cada vez mais raros na cidade. Levantamento feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais mostrou que, de janeiro de 2011 a janeiro de 2012, o aluguel do andar corrido de alto padrão subiu 43,42% e o de luxo, 24,90%.

Com o crescimento da procura, movida a pleno emprego, melhoria da renda e expansão do consumo, criou-se um descompasso entre demanda e oferta.

O lançamento de imóveis comerciais, que durante muitos anos foi freado pelo rigor da legislação municipal, começou a ganhar fôlego em 2010, mas em ritmo aquém do exigido pelo mercado consumidor.


Desincentivo

“Durante praticamente 16 anos, tivemos uma lei municipal que inibia lançamentos de unidades comerciais. Imóveis com mais de 6 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL), considerados pequenos, tinham que apresentar projeto de impacto ambiental. Essa medida desincentivou as construtoras”, afirma o diretor da área imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais, Bráulio Franco Garcia.

De acordo com o diretor, a partir de 2010, uma alteração na legislação tornou obrigatória a apresentação de projeto apenas para unidades a partir de 20 mil metros quadrados de ABL.


Agravante

Para o vice-presidente da Câmara do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI) e também do Secovi, Fernando Júnior, outro agravante para a oferta desproporcional à demanda é a falta de opções de terrenos para construção de edifícios comerciais.
“Belo Horizonte é uma cidade muito adensada.Há casos em que clientes até disputam unidades. Isso também impacta no preço”, afirma Júnior.

Para o vice-presidente da CMI/Secovi, porém, o preço do aluguel chegou ao seu ápice. “Não dá mais para subir, porque a clientela não dará conta de pagar”, aponta. (HojeemDia-BH)