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Atuação em rede entre imobiliárias é forte tendência

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012



Mudança de estratégia no negócio leva imobiliárias a se unirem para trabalhar juntas. Na capital e no interior, prática se mostra competitiva, com real aumento no faturamento
Capital conta com mais de 700 mil imóveis, segundo dados da prefeitura. Juntar esforços para intermediar compra e venda de apartamentos, lotes, casas e salas tem-se mostrado eficaz e lucrativo (Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
Capital conta com mais de 700 mil imóveis, segundo dados da prefeitura. Juntar esforços para intermediar compra e venda de apartamentos, lotes, casas e salas tem-se mostrado eficaz e lucrativo

Quando entrou no ramo imobiliário, há 14 anos, o empresário Sandro Lopes Pimenta se esforçou para garantir ao cliente negócio seguro. Uma década depois, certo de que precisava mudar a estratégia, ele se associou a uma rede de imobiliárias, conceito que ganha força em Minas Gerais. “Senti que o cliente vendedor queria velocidade e o comprador mais opções”, justifica. De um dia para o outro, a imobiliária Sandro Pimenta Netimóveis, no Bairro Nova Suíça, Região Oeste, passou a ofertar 20 mil imóveis a mais só em Belo Horizonte. A mudança também impactou o tempo de comercialização, que saltou de oito para três meses, mas o reflexo maior foi no volume de vendas: em 90 dias, o faturamento aumentou 50%.

“Nos próximos cinco anos, quem não estiver trabalhando dessa forma vai estar fora do mercado”, opina o diretor da Exclusiva Corretora de Imóveis, Eduardo Novais, que há quatro anos se juntou a seis empresários para criar a Rede Imvista. O presidente acredita na força da parceria, que pode ajudar os envolvidos a competir com grupos de fora que abocanharam parte do mercado mineiro. “Se a gente não se preparar, não vai conseguir sobreviver sozinho.” Já são 132 associados em todo o estado e a expectativa da Rede Imvista é se espalhar pelo Brasil a partir do ano que vem.

"Percebi a força que as imobiliárias têm juntas e a facilidade dos corretores para conversar" - Patrícia Bucker, funcionária pública e cliente
As redes de imobiliárias não são vantajosas apenas para os empresários. O cliente também se beneficia de um esforço coletivo para captação e comercialização de imóveis. A funcionária pública Patrícia Bucker precisa de agilidade para comprar um apartamento, pois o prazo para entregar seu imóvel, que está vendido, expira em dois meses. Para não perder tempo, ela resolveu pedir ajuda a imobiliárias ligadas a redes, até porque a velocidade com que conseguiu concretizar a venda a surpreendeu. “A gente sempre quer resolver o mais rápido possível. Percebi a força que as imobiliárias têm juntas e a facilidade dos corretores para conversar. Todo mundo ganha”, comenta. Patrícia já visitou vários apartamentos na região onde quer morar e está certa de que não vai demorar a fechar negócio.

Por dia, dezenas de imóveis entram no sistema da rede, que pode ser visto por 1,1 mil corretores associados. Os profissionais têm acesso a todos os dados sobre o cliente e o produto que será comercializado. Na época em que idealizou a rede, 17 anos atrás, o presidente Ariano Cavalcanti de Paula queria implementar o que dava resultado no ramo financeiro: a troca diária de informação, que para ele é a matéria-prima no mercado imobiliário. “Temos que trabalhar a informação com qualidade e compartilhar, em vez de deixá-la escondida, para ter mais velocidade. Esse é um caminho sem volta”, sentencia. À frente da GPO Netimóveis, Ariano aposta na integração com os concorrentes.

Apesar de ter ouvido dizer que trabalho em rede era mais complicado, há dois meses Eduardo Moura resolveu transformar a revenda de uma construtura em associada da Rede Morar e não se arrepende. “Percebi que ficava limitado de trabalhar só com um produto. Assim, com 20 minutos consigo achar o imóvel que o cliente procura. É bem mais prático”, destaca. Agora, o plano da Rede Morar Grupo Imóveis, que fica no Buritis, é aprimorar a venda de imóveis avulsos (de captação própria, são mais de 100), o que não era permitido antes da mudança. O próximo passo será reabrir as outras três lojas, na Pampulha, Savassi e Santa Efigênia, que foram fechadas para a reestruturação.

Parceiros, mais que concorrentes 
No novo sistema de trabalho entre imobiliárias todos ganham. Um dos temores diz respeito à comissão, mas ela continua sendo paga integralmente: 6%

Parceria era tabu no mercado imobiliário. O empresário Sandro Lopes Pimenta conta que nem com o irmão, que é dono de uma empresa na mesma região em que atua, ele se juntava para fazer negócio. “Como não havia regras, o corretor da outra imobiliária podia se sentir no direito de colocar na empresa dele um imóvel que a nossa havia captado”, relembra. Na sua opinião, a chegada das redes é um divisor de águas, pois moralizou o processo de corretagem e deu mais segurança aos clientes. Atualmente, 70% dos negócios da Sandro Pimenta Netimóveis são feitos por meio de parcerias.

De acordo com o empresário, o corretor tem sete dias para lançar no sistema on-line da rede o processo completo de captação do imóvel, incluindo documentos, fotos e descrição. Caso contrário, qualquer outro profissional pode lucrar com a venda da unidade. A regra também vale para quem capta o cliente comprador. A orientação é lançar detalhes sobre a visita ao imóvel e a proposta, se houver, o mais rápido possível. “A comissão vai para a imobiliária que fez captação e para a que conseguiu o comprador. Assim, não há dúvida nem bola dividida”, esclarece Lopes Pimenta.

Eduardo Novais, presidente da Rede Imvista:
Eduardo Novais, presidente da Rede Imvista: "Corretores não perdem nada"
O presidente da Rede Imvista, Eduardo Novais, explica que os corretores não perdem nada ao fechar negócio em parceria, já que eles continuam a receber a comissão integral de 6%. A bonificação reduz apenas para as imobiliárias, o que para o diretor da Exclusiva Corretora de Imóveis não é uma desvantagem. A empresa vai ganhar com o aumento do volume das vendas e os custos tendem a diminuir. “Como trabalhamos em cima de um único nome, conseguimos condições melhores de todos os insumos com os nossos fornecedores”, ressalta.

Para o corretor de seguros Paulino Ferreira, investidor no mercado imobiliário, as redes só têm a potencializar o seu negócio. “Você não fica restrito a uma imobiliária e tem mais corretores trabalhando com seu imóvel, além de a visibilidade ser maior”, pontua. Em um caso recente, ele colocou à venda um apartamento em uma imobiliária no Bairro Nova Suíça, mas quem encontrou o comprador foi um corretor do Padre Eustáquio. Outra vantagem na visão de Paulino é o tempo de venda, que diminuiu consideravelmente quando sua imobiliária de confiança entrou em uma das redes.

O empresário Celso Gotierre Lopes queria se associar a uma rede que tivesse poucas unidades na Região Centro-Sul para ter mais representatividade entre os credenciados. A Rede Imvista Atractive Imóveis está há pouco mais de um ano no Bairro Serra, mas o sócio-diretor reforça que, apesar de ter um foco definido, não deixa de atender um cliente que procure um imóvel no Jaraguá, na Região da Pampulha, por exemplo. “Como tenho parceiros em todas as regiões de Belo Horizonte, tenho mais facilidade para encontrar o imóvel que atenda meu cliente”, comenta. O novo empresário do ramo imobiliário conclui que seria impossível sobreviver isolado.

MEMÓRIA » A primeira rede é mineira

Era 1992, Ariano Cavalcanti de Paula pensou pela primeira vez no conceito de rede para o mercado imobiliário. Ele imaginava que poderia ganhar muito mais dinheiro compartilhando informações. A ideia só pôde ser colocada em prática depois que a internet chegou ao Brasil, em 1995. A tecnologia facilitou o trabalho, mas Ariano conta que foi difícil convencer a turma de que deveriam dividir justamente o que queriam esconder. A Netimóveis é a pioneira no cenário nacional e hoje está presente, além de Minas, em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Santa Catarina. O presidente destaca que a iniciativa ajudou o Brasil a alcançar o índice de compartilhamento norte-americano, que é de 80%. Ou seja, a cada 10 imóveis vendidos no país, oito são negociados em parceria.(Uai/LugarCerto)

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