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Prédios antigos no centro de BH são alvos de projetos de revitalização

sábado, 13 de outubro de 2012


Edifícios antigos, com coeficiente de aproveitamento muito acima do permitido para projetos atuais, estão na mira de empreendedores. Reformas darão nova cara à região da capital


O Centro de Belo Horizonte está prestes a viver uma verdadeira revolução. Suja, entranhada por quarteirões completamente abandonados e repleta de prédios antigos e sucateados, a região que compreende ruas como a da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo está no foco de grandes projetos de revitalização atrelados ao setor imobiliário. Já edificados, com área construída muito superior à permitida hoje pela legislação municipal e com localização privilegiada, prédios abandonados no coração da cidade atraem a atenção de investidores interessados na venda de salas e andares comerciais.

O empresário Miguel Safar Filho, diretor de Obras da Construtora Concreto, reconhece o movimento e já parte para o segundo edifício revitalizado no Centro da capital. “Na época em que esses prédios foram construídos, o coeficiente de aproveitamento do solo era maior, portanto viabilizava grandes negócios em terrenos reduzidos. O que não é possível hoje”, observa.

Depois de reformar um edifício na Rua Tupinambás, com previsão de ser inaugurado ainda este mês, a empresa se prepara para as obras do prédio vizinho ao Hotel Othon Palace, localizado na Rua da Bahia, 880. “Efetivamos a compra do imóvel, que estava fechado, em setembro. No total, são 6,5 mil metros quadrados de área construída”, calcula Safar Filho. Serão feitas mudanças nas instalações hidráulica, elétrica e dos elevadores. Estruturas para o ar condicionado, que não existem, terão de ser criadas.

Com 14 pavimentos, o empreendimento, que deverá ser concluído seis meses depois de iniciadas as obras, será totalmente comercial. “Vemos que hoje há uma demanda muito grande por imóveis comerciais com boa logística, e o Centro da cidade permite isso pelo fácil acesso”, observa o empresário. A expectativa é de que a receita mensal com locação no edifício some R$ 270 mil. “O valor do metro quadrado será de R$ 45, muito barato se comparado ao preço de imóveis em outras regiões da cidade e com o mesmo padrão de construção”, diz.

O conjunto de prédios comerciais da empresa no Centro da cidade já soma hoje receita de R$ 300 mil em aluguéis. Apesar de não revelar o valor do negócio, Safar Filho explica que estudos de viabilidade realizados pela empresa garantem paridade entre o investimento necessário para construir um empreendimento desse porte e o valor pago pelo edifício já pronto.

BoULEVARd ARRUDAS A revitalização do Hotel Beira Rio, na Avenida do Contorno, também atrai investimentos para a região. Prestes a ser inaugurado com a bandeira do Golden Tulip, o prédio deverá ganhar vizinhos ilustres. “O mesmo grupo que comprou o Golden Tulip estuda a aquisição de outros prédios na mesma região”, revela o arquiteto Bernardo FarKasVölGyi, responsável pelo projeto do hotel cinco estrelas no Boulevard Arrudas. Entre eles estaria o Internacional Plaza, na Rua Rio de Janeiro, ao lado do Golden Tulip, hoje completamente vazio. “Estamos estudando uma readequação para que se transforme em um prédio comercial”, explica Bernardo.

A expectativa é de que com a operação urbana da Avenida dos Andradas, cujo projeto de lei está previsto para sair até o fim do ano, sejam definidas regras de edificação na área. Com isso, novos anúncios de empreendimentos deverão ser feitos vislumbrando o corredor viário. “Há um terreno também próximo ao Golden Tulip que está em análise. Os empresários por sua vez, estão esperando que o poder público lance a operação urbana da região. Assim que virar realidade, os negócios vão acontecer”, prevê Bernardo.

Obras complexas para a Escola de Engenharia

Desde abril de 2011 em posse do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, o complexo de prédios da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na Avenida do Contorno – entre as ruas Espírito Santo e da Bahia –, deverá ter as obras de revitalização iniciadas no primeiro semestre de 2013. Com 25,5 mil metros quadrados, a área receberá as varas de 1ª instância do Trabalho, atualmente concentradas no Fórum Lafayette, na Avenida Augusto de Lima.

“Hoje são 40 varas e no ano que vem haverá mais oito”, afirma o juiz auxiliar da Presidência do TRT, Orlando Tadeu de Alcântara. A previsão é de que a área receba fluxo médio de 7 mil a 8 mil pessoas que passam pelo fórum diariamente. O projeto já foi concluído e remetido para aprovação da prefeitura, devendo ser liberado ainda este ano. “Assim que for aprovado, serão iniciada as obras, previstas para o início de 2013”, afirma Alcântara.

Por conta da complexidade do projeto, considerando que se trata de uma área tombada pelo patrimônio histórico, o fim das obras não deve ocorrer em menos de dois a três anos. O custo da construção ainda não foi estimado, mas segundo Alcântara, não será um empreendimento barato. “Por isso, pretendemos trabalhar parcerias com instituições financeiras”, observa.

Além dos prédios, todo o quarteirão que compreende as Ruas Espírito Santo, da Bahia e Guaicurus será revitalizado. “É uma região hoje degradada e estamos propondo a restauração de uma área significativa, garantindo maior segurança ao entorno. Por isso, acreditamos que há grande interesse do poder público”, avalia Alcântara. Com o movimento de restauração, a expectativa é de que novos empreendimentos sejam atraídos para a área, hoje frequentemente reconhecida pelos prostíbulos e boemia da cidade.(UAI/EM/Economia)

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