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BH - Empreendimentos luxuosos e endinheirados

segunda-feira, 10 de setembro de 2012


Ruas mais desejadas de Belo Horizonte abrigam empreendimentos luxuosos e endinheirados

Os endereços milionários da cidade têm preços que chegam a 12000 reais por metro quadrado de área construída

Odin
A Rua Tomás Gonzaga: usado à venda por 3,2 milhões de reais

No mercado imobiliário americano há um mantra que costuma ser repetido entre os corretores. Segundo a máxima, existem três coisas essenciais no momento de estabelecer o preço de uma propriedade: localização, localização e localização. Apesar do exagero, a frase tem seu fundo de verdade. O ponto onde o imóvel está situado — junto com o padrão de construção e a idade — é essencial para determinar o seu valor. Em Belo Horizonte, alguns bairros saltam aos olhos de quem está atrás de uma casa ou de um apartamento. Mas mesmo dentro deles há ruas ou quarteirões especiais. Eles abrigam imóveis com preços superlativos, que chegam a ultrapassar os 13 000 reais pelo metro quadrado de área construída. Para elaborar a lista dos pontos mais valorizados da capital, VEJA BH consultou nove das principais imobiliárias de Beagá, além de dois escritórios de advocacia especializados em direito imobiliário e representantes da Câmara do Mercado Imobiliário e do Sindicato da Habitação de Minas Gerais (Secovi-MG). Cada um elaborou seu ranking. Os sete pontos apresentados a seguir são o resultado do cruzamento dessas listas.

Seis dos sete endereços levantados por VEJA BH ficam na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, o que não provoca surpresa — a única exceção é a Vila da Serra, na vizinha Nova Lima. Historicamente, a Zona Sul sempre concentrou as famílias de alta renda e é também o centro financeiro da cidade. Fica dentro do perímetro da Avenida do Contorno a maior parte dos escritórios, bancos, hospitais e escolas da capital. “Existe esse conjunto de fatores, e o próprio mercado se encarrega de reforçar a simbologia de prestígio”, afirma a professora Jupira Gomes de Mendonça, da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais. As únicas ruas listadas que ficam afastadas da Avenida do Contorno se encontram nos bairros Belvedere e Vila da Serra. “Mas eles estão ligados ao Centro por uma única via, a Avenida Nossa Senhora do Carmo”, explica Jupira.

Odin
A família de Alencar da Silveira Jr.: o espaço amplo atraiu o deputado

TRADIÇÃO E STATUS

Os cruzamentos das ruas Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo com as ruas Fernandes Tourinho, Antônio de Albuquerque, Professor Antônio Aleixo, Felipe dos Santos e Tomás Gonzaga constituem o conjunto mais precioso do Lourdes. Encontrar imóveis por menos de 1 milhão de reais nos quarteirões compreendidos nessa área é difícil. Um apartamento de 328 metros quadrados da Construtora Caparaó na Rua Fernandes Tourinho foi vendido recentemente por 4,4 milhões de reais — 13 400 reais o metro quadrado. Já na seara dos usados mais luxuosos, o metro varia de 8 000 a 10 000 reais. Na Rua São Paulo, o edifício Salvador Dalí é um dos mais cobiçados, com apartamentões que impressionam pela área de 500 metros quadrados. O deputado estadual Alencar da Silveira Jr. (PDT) mudou-se para o prédio há seis anos, depois de pedir a um corretor que ficasse de olho nos proprietários. “Aqui as pessoas só vendem quando os filhos se casam e o espaço acaba ficando grande demais”, afirma Silveira, que agora recebe constantemente ligações de pessoas interessadas em comprar seu imóvel, mas também não pretende sair enquanto os dois filhos (Julia, de 10, e Arthur, de 7 anos) não deixarem o ninho.

Valor médio do metro quadrado no bairro*: R$ 7 300
Nas áreas em destaque: até R$ 13 400 o metro quadrado*

*Área construída


Embora vários desses endereços sempre tenham sido sinônimo de prestígio, foi apenas recentemente que atingiram o ápice nos valores cobrados por quem quer vender um imóvel. De acordo com o índice da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, de abril de 2009 a junho deste ano o preço dos imóveis em BH subiu em média 67,1%. Quem comprou antes desse período conseguiu um valor de revenda recorde, mas a tendência agora é de acomodação. “É uma estabilização necessária, porque estávamos vivendo na euforia”, afirma Paulo Tavares, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG). “O mercado não consegue conviver com uma valorização desse nível eternamente”, diz o presidente da rede de imobiliárias Netimóveis Brasil, Ariano Cavalcanti. Especialistas afirmam, no entanto, que não haverá queda de preços.

Consenso entre os corretores da cidade, as ruas do Lourdes limitadas pelo Minas Tênis Clube, pelo Colégio Estadual Central e pela Praça Marília de Dirceu são as que mais despertam o desejo dos belo-horizontinos. Esses quarteirões abrigam edifícios icônicos da cidade, como o Les Saint Paul, na Rua São Paulo, e o Liras de Gonzaga, na Rua Tomás Gonzaga. Apesar de seus vinte anos, esse último tem uma unidade de 393 metros quadrados à venda por 3,2 milhões de reais. Morar em um apartamento novo em tal trecho é raridade, já que os terrenos no Lourdes são cada vez mais escassos. A construtora Caparaó arrematou um dos últimos espaços disponíveis e está construindo ali o edifício High Houses, na Rua Fernandes Tourinho, entre as ruas Espírito Santo e Rio de Janeiro. Sem publicidade e com entrega prevista apenas para o segundo semestre do ano que vem, todas as unidades já foram comercializadas. Recentemente, um apartamento de 328 metros quadrados foi comprado ali por 4,4 milhões de reais.

Apesar de não ostentar a grife do bairro vizinho, o Santo Agostinho também está entre as áreas consideradas top. São muito procuradas as ruas que ficam entre a Assembleia Legislativa e o Shopping Diamond Mall, como a Gonçalves Dias, a Barbacena e a Alvarenga Peixoto. “Em termos de valores, o Santo Agostinho está bem próximo do Lourdes”, compara Fernando Antunes, sócio da imobiliária Lopes. Um lançamento na Rua Bernardo Guimarães, próximo ao Diamond Mall, confirma isso. Com área de 227 metros quadrados, está à venda por 2,7 milhões. “Esses dois bairros formam um tripé com o Funcionários”, diz Antunes, mencionando outro ponto dentro do perímetro da Contorno que faz brilhar os olhos dos compradores. O Funcionários é conhecido pela intensa movimentação comercial, mas que fique bem claro: o fino da bossa é morar perto do agito, mas não dentro dele. É por isso que ruas como a Ceará, a Maranhão e a Piauí estão entre as mais cobiçadas. Próximas a corredores importantes como as avenidas Afonso Pena e Getúlio Vargas, elas não recebem um volume tão grande de tráfego e ficam a certa distância dos botequeiros e baladeiros que frequentam a Savassi. Um dos empreendimentos mais luxuosos dali, o Edifício Zaidal, na Rua Maranhão, tem apartamentos avaliados em 2,8 milhões de reais. Entre seus diferenciais, há uma sala para motoristas na garagem.

Odin
Esquina da Rua Gonçalves Dias com a Avenida Olegário Maciel: shopping valoriza a região

BAIRRO DE GRIFE
As marcas que se espalham pelos corredores do Diamond Mall, como a Bobô, a Hugo Boss e a Carlos Miele, são um termômetro da vizinhança local. Nas ruas adjacentes ao shopping, os valores costumam ser bem mais altos que a média do bairro. Um lançamento na Rua Bernardo Guimarães confirma esse fato. Com área de 227 metros quadrados, os apartamentos estão à venda por 2,8 milhões de reais — 12 300 reais o metro quadrado. “Além da proximidade de uma rede hospitalar, ali se está perto de escolas tradicionais, como o Santo Agostinho e o Loyola”, avalia Rodrigo Naves, diretor comercial da Valore Imóveis. Com a carência de terrenos espaçosos, lançamentos de quatro quartos estão cada vez mais raros — e caros —, o que leva muitas construtoras a investir em empreendimentos menores. O padrão de alto luxo e o acabamento requintado permanecem. Na Alvarenga Peixoto, o metro quadrado de um apartamento de três quartos que está sendo entregue pela Somattos sai por 10 000 reais, com regalias como home cinema e academia na área de lazer.

Valor médio do metro quadrado no bairro*: R$ 7 000
Nas áreas em destaque: até R$ 12 300 o metro quadrado*

*Área construída


Não muito longe do burburinho, o Sion também entra para o ranking. As ruas mais procuradas atualmente são aquelas que ficam perto das avenidas Bandeirantes e Uruguai. “A Bandeirantes, por exemplo, virou comercial, e as pessoas não querem mais ir para lá”, aponta o diretor comercial da Valore Imóveis, Rodrigo Naves. “Por isso seu entorno se valorizou.” A La Plata e a Califórnia, que ficam no que poderia ser chamado de “Alto Sion”, estão entre as ruas com apartamentos que chegam a cifras bem mais altas do que a média de 5 000 reais pelo metro quadrado cobrada no bairro. Por ali ainda se encontram muitas casas, o que aos olhos das empresas significa possibilidade de construção. Mas, se há cinco anos dava para encontrar lotes a 1 700 reais o metro quadrado, hoje o preço chega a 5 000 reais. Além disso, muitos proprietários são resistentes em vender o imóvel. “Às vezes a gente compra duas casas vizinhas e fica mais de um ano negociando a terceira”, conta Alberto Viotti, sócio-diretor da construtora Altti. “O Sion tem aquela cara de bairro tradicional, bem família”, afirma Daniela Cançado, sócia da Austen Imóveis. “Lá você conhece o atendente do sacolão e o do açougue.”

Mais afastado do Centro, outro local que atrai os moradores da capital é o entorno da Lagoa Seca, no Belvedere. É o ponto de encontro de crianças, pais, cachorros e dos incontáveis praticantes de corrida que desfilam diariamente pelas ruas Elza Brandão Rodarte, Vicente Guimarães e pelas vias paralelas à praça. “Se BH tivesse mar, Ipanema seria ali”, brinca Cássia Ximenes, diretora da imobiliária Sílvio Ximenes. Já segundo Daniela, muitos compradores a procuram tendo em mente o nome do edifício onde querem morar. “São pessoas que já vivem muito bem, por isso não se importam de esperar por um imóvel específico”, diz. Espécie de prolongação do Belvedere, o Vila da Serra vem se consolidando como bairro de alto padrão. A Avenida Alameda da Serra é o centro desse canteiro de obras. Seu lado esquerdo — onde fica o Hospital Biocor — tem vocação comercial, enquanto o direito abriga os edifícios residenciais. Sem as limitações de espaço existentes em outros bairros, as construtoras apostam em áreas de lazer cada vez mais mirabolantes para atrair os moradores para longe do centro. “Os filhos do Lourdes estão indo para lá”, diz Naves, referindo-se a jovens casais que se mudam à procura de um prédio com facilidades para as crianças que chegaram ou que estão nos planos, como home cinema e pista de skate.

Fechando a lista, está um dos pontos mais exclusivos e reservados da capital. Espécie de oásis entre os prédios da Zona Sul de BH, o Clube dos Caçadores, no bairro Mangabeiras, guarda mansões protegidas por uma controversa catraca instalada na frente do Minas Tênis Clube II. Como há poucos lotes, a compra e a venda ali são raras, mas movimentam cifras graúdas. “O valor varia porque cada casa é muito diferente, mas existem algumas que podem chegar a 15 milhões de reais”, afirma o advogado Kênio Pereira, especialista em mercado imobiliário. Dono da rede de hotéis Tauá, o empresário João Pinto Ribeiro é morador do clube há 22 anos. Antes disso, tinha uma casa na Cidade Nova, na Região Nordeste, mas teve de vendê-la em 1987 para saldar dívidas contraídas durante a instável economia do governo do ex-presidente José Sarney. Ao se reerguer financeiramente, Ribeiro saiu de um apartamento em que estava espremido com a mulher e os três filhos, enquanto procurava um lote para construir sua nova morada. “Quando comprei o terreno, ele valia o equivalente a 100 000 reais”, lembra o empresário, que vive em uma casa na Rua Sebastião Dayrell avaliada em 6 milhões de reais. “Aqui é isolado e tem segurança, mas ao mesmo tempo é muito perto do centro da cidade.” O fundador da mineradora Ferrous, Iracy Parreiras, se mudou para o condomínio há cinco anos. “Morava no São Bento e fui assaltado quatro vezes”, relata. Parreiras diz que não teve problemas depois que se instalou por lá. Mesmo se sentindo mais seguro, ele não revela o valor milionário de sua residência. Quando questionado, pergunta: “Vocês não são do Imposto de Renda não, né?”. (Veja-BH)

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