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Crédito em BH ainda é mais caro que em 2007

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Queda da Selic não faz juros caírem.

Para Paulo ngelo, do IMM, queda nos juros deveria ser maior que a da Selic

Mesmo após as reduções da Selic, taxa básica de juros, o crédito imobiliário em Belo Horizonte ainda está mais caro do que em 2007, ano que antecedeu ao boom imobiliário no país. Comparando junho de 2012 com o mesmo período de 2007, a média de juros mensais cobrados na capital mineira aumentou 14,2%, ao passar de 1,19% ao mês para 1,36%. Os dados são da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead-MG).

Conforme a pesquisa, em maio, a diferença entre as taxas cobradas em 2007 e 2012 é ainda maior. No período, houve uma elevação de 58,5% nos juros dos bancos de Belo Horizonte, que passaram de 1,06% para 1,68%.

Segundo o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Oiveira, não há justificativas para a alta dos juros no setor. Em primeiro lugar, porque as condições de crédito no país melhoraram, com maior disponibilidade e acesso.

Além disso, a Selic tem passado por reduções históricas, o que deveria garantir juros mais baixos também. Entre 19 de abril de 2007 e 6 de junho do mesmo ano, a Selic estava em 12,5% ao ano (a.a). Agora, ela está em 8% a.a, o que equivale a uma redução de 32% no período.

Para o presidente do Instituto Mineiro de Mercado de Capitais (IMM), Paulo ngelo Carvalho de Souza, os juros do crédito imobiliário deveriam pelo menos acompanhar a mesma proporção de queda da taxa referência da economia. Dessa forma, a média do juro cobrado no segmento deveria estar em 0,81% ao mês, em vez dos atuais 1,36%. Isso porque haveria uma redução proporcional a da Selic sobre a base de 1,19% do período.

"A queda deveria ser até mesmo maior do que a da Selic porque antes as taxas de juros do crédito imobiliário levavam em conta também o risco de inflação, que era altíssima. E hoje ela está estabilizada, o que permite uma margem menor", afirma.

Ainda segundo Oliveira, outro fator que garantiria uma taxa de juros menor no crédito imobiliário é a redução da inadimplência no setor, que segue na direção contrária dos demais nesse sentido. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), em 2006, era de 6,3% em todo o país e, em 2012, caiu para 2%. Em 2006, a inadimplência era tão alta que só perdia para cheque especial, que batia a casa dos 10,6%.

Atualmente ela é mais baixa que todos os demais tipos de créditos pesquisados: veículo, crédito pessoal e cheque especial. Com o índice de inadimplência em baixa, não há necessidade de aumentar as taxas como forma de garantia para as instituições financeiras.


Oferta e demanda - Outra possível justificativa dos bancos para o aumento das taxas que foi derrubada pelos números é a questão da oferta e demanda. Se houvesse pouco crédito para muitos tomadores, os juros poderiam estar mais altos. Porém, a atual realidade de mercado é de maior disponibilidade de crédito e maior concorrência, já que bancos públicos e privados disputam uma fatia nesse mercado.

Em 2007, o crédito imobiliário era praticamente uma exclusividade da Caixa Econômica Federal. O Banco do Brasil, por exemplo, passou a atuar nesse segmento em 2008.

"Não faz nenhum sentido o crédito imobiliário estar mais alto neste ano do que em 2007. Todos os indicadores caminham para o sentido contrário", afirma o presidente da Abecip, Octávio Lazari Júnior. Ele explica que, em outras operações de crédito, o fator receio de uma futura inadimplência poderia fazer sentido nesse momento.

Porém, ele mesmo admite que não é essa a realidade do mercado imobiliário. Isso porque os bancos sentem a necessidade de conter gastos desnecessários e descontrolados por meio de outros créditos, mas não a compra da casa própria, que geralmente é mais planejada e tem maiores garantias.

Para o presidente da Indústria da Construção Civil da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Teodomiro Diniz Camargos, a alta das taxas de juros tem impedido que o setor tenha um crescimento ainda maior. Isso porque as vendas poderiam ser mais elevadas, caso as condições de financiamento fossem mais atrativas.(DiarioDoComercio-BH)



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