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Valores dos imóveis no Grande Recife estão perto do limite, dizem especialistas

quarta-feira, 10 de agosto de 2011




Quanto você está disposto a pagar por um apartamento novo com menos de 91m²? Se for no Recife, em um bairro concorrido, você precisará desembolsar até R$ 400 mil. Os últimos lançamentos, por exemplo, oferecem unidades de 90,85 m² na Madalena por R$ 360 mil; de 52,70 m² em Boa Viagem por R$ 258 mil; e de 81,20 m² em Casa Amarela por R$ 285 mil. Esses valores eram no mínimo 40% mais baixos há três anos, antes do aquecimento do mercado imobiliário.

Embora os preços não estejam nada convidativos, adquirir um imóvel novo no Grande Recife está cada vez mais difícil. Dependendo da localização e das características do empreendimento, as unidades de um lançamento se esgotam em menos de um mês. Se o apartamento possuir de 50 a 70 metros quadrados, uma ou duas vagas na garagem e estiver localizado em um bairro concorrido, as unidades são reservadas nos primeiros dias de venda.  Apartamentos com essas características são procurados por mais de 70% do mercado consumidor.

Além da estabilidade econômica do país, da disponibilidade de crédito e financiamentos oferecidos pelos bancos e do desenvolvimento do Estado incentivado por Suape, a oferta de novos apartamentos na Região Metropolitana é a menor dos últimos dez anos. Já a demanda continua a mesma, contribuindo com o aumento do preço dos imóveis. De acordo com os Indicadores de Velocidade de Vendas (IVV), a média de apartamentos novos ofertados no Estado neste ano (até maio) é de 3 mil unidades, enquanto em 2010 a média foi de 5,3 mil imóveis por mês.

A redução na oferta foi provocada pelo crescimento das vendas nos anos de 2009 e 2010 (confira no gráfico), período em que o Governo Federal incentivou a aquisição da casa própria, lançando o programa Minha Casa Minha Vida. Antes do "boom" nas vendas, o preço médio do metro quadrado no Grande Recife era de R$ 2.200. Hoje, o valor gira em torno de R$ 3.200, sem incluir os bairros mais concorridos como Boa Viagem, Casa Forte e Espinheiro, onde o valor do metro quadrado pode atingir até R$ 5.500.

Ilustração: Erika Simona/Do NE10


Para o presidente do conselho da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-PE), Marcello Gomes, a tendência é de que o mercado se estabilize. "Estamos em um momento de transição. A oferta está baixa e a procura é grande. Não existe bolha. Vamos chegar a um preço de equilíbrio. Sabemos também que a demanda tem um limite de renda e capacidade de compra. Estamos próximo desse limite", afirmou.

Segundo Marcello Gomes, antes de 2008 não existia financiamento para produção e nem para compra do imóveis. O mercado era restrito às pessoas que podiam pagar o apartamento durante a construção. "Como o mercado de Pernambuco é bastante concorrido, com várias empresas boas e competitivas, o preço do metro quadrado no Recife acabou caindo em relação ao dos outros estados. Os imóveis eram vendidos em até 40 prestações. Hoje é possível pagar em até 360 parcelas. Com essa facilidade, as construtoras puderam recuperar essa defasagem, que atingiu cerca de 40%. E vale ressaltar que, mesmo com o reajuste dos últimos dois anos, ainda temos preços mais baixos do que em Fortaleza, Salvador, Natal e de outras capitais do Nordeste", disse.

O representante da Ademi-PE argumentou ainda que os custos da construção civil aumentaram. "O lucro das construtoras é bem menor que especulam. O gasto com aquisição de terreno passou de 15% para 25% do valor total da obra, sem falar no aumento do preço dos materias, como o cimento. Por conta do grande número de obras em Suape e para a Copa de 2014, a mão de obra também está mais cara".

Foto: Mariana Dantas/NE10

Para Marcello Gomes não existe bolha, e sim uma readequação dos preços 

A especialista em mercado imobiliário e professora de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Suely Leal também acredita que a estabilidade econômica e a melhoria da renda do pernambucano são fatores que contribuem para reduzir o temor de uma crise no setor. No entanto ela destaca que o mercado deve estar atento a outros cenários menos otimistas. "Não há dúvida que estamos vivenciando um ótimo momento econômico em Pernambuco. Mas precisamos ficar em alerta. Os Estados Unidos enfrentam uma crise que já está refletindo em vários países. O Brasil está se protegendo e reduzindo gastos. Se o Governo decidir reduzir o crédito, o mercado imobiliário será diretamente afetado", disse. Ela lembrou também que muitos europeus estão adquirindo imóveis no Litoral Sul do Estado para passar as férias. "Se a crise atingir a Europa, Pernambuco perde esse mercado".

Outra questão apontada pela professora está relacionada com o perfil dos compradores dos imóveis. "Muitos clientes das construtoras são investidores, que compram as unidades com o objetivo de repassá-las por um preço maior. Isso pode acarretar em especulação imobiliária. Além disso, por mais que a renda da população tenha melhorado, o percentual não acompanhou o aumento dos preços dos imóveis", afirmou, ressaltando que a classe média sente dificuldade para adquirir a casa própria. "Basta observar os prédios à noite para perceber que a maioria das luzes está apagada. Ou seja, não tem ninguém morando porque pertence a um investidor".

A engenheira civil Niara Farias, de 31 anos, desistiu de "trocar" de apartamento. Ela e o marido são proprietários de um imóvel de 48m² na Cidade Universitária. O casal planeja ter filhos no próximo ano e, por isso,  planejava comprar um imóvel maior. Mas, depois de pesquisar bastante, a ideia foi deixada de lado. "Tomei um susto quando comecei a pesquisar. Os valores estão muito acima do que imaginamos. Sabemos que os preços não vão cair. A única solução será juntar mais dinheiro e aguardar um pouco", disse.

O médico recém-formado Fernando Cerqueira Noberto, de 25 anos, pretende comprar um imóvel para investir. "Os preços sobem numa proporção absurda, mas sei que esse processo não tem volta. Como ainda estou solteiro, poderei destinar meu dinheiro para aquisição de um imóvel, que considero a melhor opção de investimento".(NE10)

1 comentários:

Anônimo,  17 de novembro de 2011 15:03  

Aumento da inflação, devido às sucessivas crises internacionais, com perda da capacidade de compra + retração do crescimento, leva a cortes no crédito. Bom, diante disto é obvio que o poder de pagamento diminui e qual a maior conta? as prestações dos imóveis comprados com crédito a perder de vista, comprometendo em média 29% da renda. O resultado disto será várias execuções imobiliárias + diversos imóveis vazios dos especuladores/investidores, daí, quem quer comprar um imóvel para morar, basta esperar que imóveis sendo leiloados e elefantes brancos para investidores... é como investir em ações que tem prazo curto de valorização, se perder o tempo, vai perder dinheiro.

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