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Número de apartamentos em BH cresceu quatro vezes mais que casas

domingo, 6 de fevereiro de 2011


Vista geral da Região Centro-Sul mostra que prédios residenciais se espalham pela área. Situação não se limita ao local mais valorizado da capital. Cenário se repete na Pampulha e no entorno da Contorno (Maria Tereza Correia/EM/D.A Press.)
Vista geral da Região Centro-Sul mostra que prédios residenciais se espalham pela área. Situação não se limita ao local mais valorizado da capital. Cenário se repete na Pampulha e no entorno da Contorno
Projetada pelo engenheiro Aarão Reis (1853-1936) para ter uma população de cerca de 100 mil habitantes no seu primeiro século de vida, Belo Horizonte, cuja extensão territorial é de 331 quilômetros quadrados, tem hoje 2,37 milhões de moradores. Há portanto, 7.177 pessoas em cada quilômetro quadrado. E, para acolher tanta gente, a capital cresceu para cima e entrou num ritmo acelerado de verticalização. Dados da prefeitura mostram que o número de apartamentos aumenta numa velocidade bem mais acelerada do que o das casas. Enquanto o total de residências unifamiliares subiu de 177,8 mil, em 2000, para 193,3 mil em 2010 (aumento de 8,5%), o de apartamentos saltou de 190,5 mil para 275,4 mil (elevação de 44,3%) no mesmo período. O levantamento do poder público leva em conta apenas os imóveis que pagam o Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU). Ficam de fora residências nas vilas e favelas. Barracões, lotes vagos, salas e lojas também estão fora da comparação.

Os dados da prefeitura não informam quantos prédios há em BH, mas estatísticas da Câmara do Mercado Imobiliário/Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi-MG) reforçam o crescimento do número de apartamentos na cidade. Para se ter ideia, de janeiro a setembro, 69,43% de todos os imóveis registrados na prefeitura eram apartamentos. “As casas representaram 14,45% , enquanto lotes vagos (5,29%), lojas (4,16%), salas (3,28%), galpões (2,05%), barracões (0,87%), vagas de garagem (0,35%) e vagas em prédio residencial (0,11%) responderam pelas demais”, informou o presidente da entidade, Ariano Cavalcanti de Paula. Os dados foram coletados com base no Imposto sobre Transações de Bens Imóveis (ITBI).


A disparidade entre os dois tipos de residências mostra que muitas casas foram demolidas para dar lugar a arranha-céus. A intensa verticalização explica algumas mazelas enfrentadas pelos moradores, como o caótico trânsito em muitas regiões, pois cada espigão é construído com dezenas de vagas de garagem. Ou seja: o espaço antes ocupado por um carro passa a ser dividido por vários veículos. Um dos bairros que mais sofrem com este fenômeno é o Buritis, na Região Oeste. Lá, segundo o último balanço da prefeitura, referente a 2007, há 8.856 apartamentos. Já o Sagrada Família era o bairro com o maior número de casas: 3.107.

Sem volta
“A verticalização da cidade é uma tendência irreversível. BH tem uma área geográfica muito pequena e há a necessidade de projetos sustentáveis para que o crescimento urbano seja agradável. Não há como fugir”, avalia o vice-presidente da CMI/Secovi, Evandro Negrão de Lima Júnior. Para piorar a situação, de alguns meses para cá, o déficit de casas em áreas da Região Centro-Sul levou algumas construtoras a comprar prédios antigos de até três andares para derrubá-los e erguer espigões.

“São endereços bem localizados. É difícil ter terrenos disponíveis em algumas regiões. Portanto, fica mais em conta comprar o prédio (antigo e pequeno)”, acrescenta o vice-presidente. Os moradores da Centro-Sul são os mais assediados pelas construtoras. Outra planilha da prefeitura, concluída em dezembro passado, mostra que a região conta com 90,3 mil apartamentos e 8,9 mil casas. Na Pampulha, também há mais apartamentos do que casas: 28,9 mil contra 20,5 mil.

Da mesma forma na Oeste: 47,4 mil a 16 mil. A situação também se repete na Leste: 24,2 mil a 21,6 mil. Alguns arranha-céus têm estatísticas semelhantes às pequenas cidades de Minas. No condomínio JK, no Centro, as 1.086 unidades são ocupadas por cerca de 5 mil pessoas. As duas torres projetadas por Oscar Niemeyer contam com 17 elevadores e 13 tipos de apartamentos. A população do condomínio é cinco vezes maior do que a do menor município de Minas Gerais, Serra da Saudade, onde moram 815 habitantes, segundo o censo de 2010, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em dezembro.(UAI-EM)

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