Pesquize em toda a Web

Estudantes aquecem o mercado imobiliario de BH

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Bairros próximos a faculdades e universidades são os mais procurados por alunos

Nesta época do ano, com o início do ano letivo, o mercado imobiliário é aquecido com a busca de imóveis para aluguel por universitários. Muitos são de outras cidades, outros querem sair da casa dos pais assim que iniciam o curso universitário e ainda têm os que moram longe do local de estudo e alugam um apartamento próximo ao campus para economizar no transporte e no tempo gasto para locomoção. Os jovens buscam praticidade e comodidade em um apartamento pequeno, de no máximo dois quartos, que seja próximo ao local de estudo. De acordo com profissionais da área, a procura pode aumentar em até 30% nos meses de dezembro e janeiro.

Segundo o diretor da Coração Eucarístico Netimóveis, Eurico Santos Neto, os imóveis que atendem ao público universitário são os apartamentos sem área de lazer, para que o condomínio fique mais barato, sem garagem e que permitam que o estudante possa ir a pé para a faculdade. "A exigência é por bairros próximos ao local onde estudam. O imóvel precisa oferecer praticidade, pois muitos estão saindo da casa dos pais pela primeira vez e, justamente por isso, um apartamento pequeno atende muito bem esse perfil de locatário", disse.

De acordo com ele, o preço desse tipo de imóvel varia entre R$ 800 e R$ 1.200, de acordo com as características de cada apartamento. Segundo o diretor, a maioria dos imóveis é alugado em nome dos pais, já que os estudantes não possuem os requisitos para que um contrato seja estabelecido. "O contrato exige renda fixa e fiadores e para a maior parte dos estudantes ainda não é possível apresentar esse tipo de exigência. Por isso, os pais fazem o contrato de locação e muitas vezes o apartamento é ocupado por mais de um membro da família, dois irmãos ou primos", conta.

No caso da estudante de direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Renata Marra Toledo, 19, a família veio junto para que o curso seja realizado com tranquilidade. De acordo com a mãe da estudante, Hebe Henriques Marra, 46, a opção por disponibilizar a propriedade da família em Lagoa Santa e vir com a filha para a capital foi pensada e oferecia mais vantagens. "Durante o período em que ela estiver aqui, eu prefiro estar por perto. Alugamos nossa casa e com o preço que o locatário pagará, conseguiremos pagar o aluguel do apartamento próximo à universidade. A economia e a tranquilidade pesaram na hora da escolha", explica.

Condomínios dificultam aluguel para estudantes

Depois da dificuldade para conseguir vaga em uma boa universidade, estudantes ainda têm que enfrentar uma maratona para alugar apartamento para moradia. A união de jovens para dividirem as despesas de moradia é conhecida como república estudantil. Famosas por promoverem festas e não possuírem muitas regras, as repúblicas são mal vistas por muitos síndicos e moradores de condomínios residenciais. Muitos prédios têm criado cláusulas no regulamento condominial que proíbem a locação dos apartamentos para repúblicas de estudantes.

De acordo com o diretor da Coração Eucarístico Netimóveis, Eurico Santos Neto, quando o condomínio não permite repúblicas, a imobiliária acata em respeito, mesmo não havendo legislação que proíba. "Não achamos válido criar problemas aos condomínios e por isso respeitamos. Mas, como há dificuldade em caracterizar república, pelo fato de alguns estudantes serem primos ou irmãos, muitos casos acabam acontecendo", justifica.

O estudante de química Thiago Romano, 21, teve dificuldades para alugar o apartamento para morar com três amigos. Os quatro são de Sete Lagoas, na região Central do Estado, e vieram para a capital para cursar a universidade. No entanto, quando falavam na imobiliária que o aluguel era para estudantes, o contrato era inviabilizado. "Nenhuma imobiliária aceitou alugar o apartamento para a gente. Tivemos que procurar muito e, mesmo assim, só conseguimos alugar porque um amigo da família tem um apartamento e aceitou locar para nós", afirma.

Síndica de um prédio no bairro Coração Eucarístico, na região Noroeste de Belo Horizonte, Vivian Castro diz que já teve muitos problemas com estudantes e por isso o condomínio vetou o aluguel para eles. "Na maioria das vezes, os jovens são desregrados e longe da presença dos pais acabam dando festas e provocando muitos transtornos. Houve um caso aqui no prédio em que moravam três rapazes e tinha festa todo dia. Os vizinhos fizeram um abaixo-assinado e conseguimos retirar os moradores. Depois disso, a opção foi pela proibição", diz.

Já o estudante de veterinária Guilherme Fernandes, 19, não teve problemas para alugar o apartamento que mora com dois amigos. "Na imobiliária que procuramos, informamos que o apartamento seria ocupado por três estudantes. Fizemos o contrato no nome do pai de um dos moradores, por causa das exigências de renda, e vivemos pacificamente com os vizinhos", garante.

O estudante acrescenta que o segredo para a boa convivência é o respeito pelas normas e pelos outros moradores. "Já fizemos festas no apartamento, mas nunca ultrapassamos o horário de 22h com música alta ou conversa em tom de voz elevado. Acredito que se a pessoa for educada, não haverá problemas, mesmo que o apartamento seja dividido por muitos estudantes. É tudo uma questão de educação", afirma.

O diretor da Coração Eucarístico Netimóveis, Eurico Santos Neto, acredita que exista um pouco de implicância com os estudantes e que as normas do condomínio podem ser quebradas por qualquer morador. "O que observamos é que existem síndicos que estão completamente fechados para a formação de repúblicas. Já aconteceu de alugarmos um apartamento para dois jovens e o síndico nos procurar reclamando. Informamos ao pai do estudante, responsável pelo aluguel, e conseguimos outro apartamento para os dois. Nesse segundo imóvel, não houve nenhum tipo de reclamação e os jovens são bem quistos no condomínio", conta.

Fiador com imóvel quitado na capital pode dificultar o contrato

Um dos grandes problemas para quem aluga é conseguir um fiador com imóvel quitado na cidade onde o imóvel está sendo locado. De acordo com o corretor de imóveis Lucas Lisboa, a exigência é feita pela maioria das imobiliárias. "Ter um fiador com imóvel quitado é uma garantia para quem está alugando um imóvel. Mesmo com outras opções, o fiador é sempre desejado e muitos contratos podem cair por causa disso", disse.

Segundo ele, uma das opções é o seguro-fiança, que custa cerca de um mês e meio o valor do aluguel. "O seguro-fiança é previsto pela Lei do Inquilinato e substitui a figura do fiador na contratação de aluguéis de imóveis. Ele garante ao proprietário o recebimento das mensalidades", explica.

Ainda em fase de testes e implantação, o Cartão do Aluguel, produto da Caixa Econômica Federal, é um instrumento que poderá substituir o fiador. O Cartão Aluguel funciona de maneira semelhante ao cartão de crédito, e poderá garantir até 12 meses de aluguel do imóvel. O inquilino pagará uma taxa de anuidade de R$ 96 e a Tarifa de Manutenção de Aluguel (TMA) de 6,67%, cobradas junto com a fatura do cartão.

Caso o aluguel não seja pago em dia pelo inquilino, serão cobrados 10,02% de juros e a imobiliária será avisada para que tome as providências cabíveis.

Segundo o corretor, o mercado ainda não absorveu o produto e será preciso ter paciência para que as imobiliárias e os proprietários aceitem o Cartão Aluguel para substituir o fiador. Ele explica que com as mudanças impostas pela Lei do Inquilinato, que permitem o despejo do locatário inadimplente com mais agilidade, a tendência é que o mercado busque novas formas de trabalhar com a fiança do imóvel.

"A questão do fiador já mostrou que é um problema para o locatário e para quem aceitar ser fiador de um imóvel. Já vimos relações de amizade terminarem por causa de uma dívida que não foi quitada. Se puder substituir a figura do fiador, melhor", aconselha. (LM-JornalOTempo)

0 comentários:

Postar um comentário

  © Blogger template On The Road by Ourblogtemplates.com 2009

Back to TOP