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Mercado Imobiliário de BH vive momentos de euforia e valorização.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Para especialistas, governo pode intervir para reduzir facilidade de crédito


Mercado imobiliário em Belo Horizonte teve forte expansão, resultando na valorização de imóveis acima de outros investimentos

O mercado imobiliário vive há algum tempo momentos de euforia e valorização. Após uma estagnação do setor durante décadas, a partir de 2007 uma série de fatores fez o mercado passar por uma forte expansão. A pergunta é: até quando o mercado vai conseguir sustentar a valorização e se há risco de haver uma crise imobiliária como as ocorridas nos Estados Unidos, em 2008, e, mais recentemente, na Irlanda?

No Brasil, uma das razões principais para o aumento da venda de imóveis foi a facilidade e a ampla oferta de crédito. No entanto, com o objetivo de reduzir os riscos de formação de bolhas financeiras que a farta distribuição de crédito pode produzir, o Banco Central retira, a partir de 13 de dezembro, R$ 61 bilhões de circulação. As medidas do BC limitam e deixam mais caras grande parte das linhas de empréstimos voltadas às famílias.

De acordo com o economista Antônio Ferreira, pelo menos por enquanto, as medidas não têm o objetivo de atingir os financiamentos imobiliários, bem como crédito rural e compra de veículos de carga (ônibus e caminhões). Porém, ele explica que há um risco de intervenção do governo nessas linhas de crédito também.

Recursos. "As operações com garantia hipotecária estão crescendo em velocidade alta demais e, embora a liberação de crédito imobiliário no Brasil seja mais rígida do que nos Estados Unidos, nem sempre atendem às exigências de renda proporcional ao financiamento. Mesmo sem evidências de formação de bolha imobiliária nos moldes que desencadearam as crises nos Estados Unidos e Irlanda, se o ritmo continuar da maneira como está, em dado momento as autoridades terão que intervir", alerta.

Durante o período de crise global, no final de 2008, o máximo de recursos foi injetado na economia pelo BC para conter a tensão no país. Em março deste ano, a reversão das medidas começou e, de acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o patamar de financiamento no Brasil está no nível anterior à crise financeira dos Estados Unidos.

As crises nos Estados Unidos e Irlanda foram causadas pela formação de bolhas na economia - um crescimento rápido de algum setor, sem uma base sólida no mercado. Normalmente, essas bolhas são caracterizadas por mudanças rápidas nas condições de funcionamento da economia. Toda bolha financeira é insustentável e quando estoura prejudica com maior intensidade os grupos sociais mais fracos.



INVESTIMENTO
Especialistas descartam bolha imobiliária no Brasil

O alvoroço do mercado imobiliário em Belo Horizonte garantiu ganhos acima da Bolsa de Valores, poupança e aplicações financeiras nos últimos anos. Quem optou por investir na compra de apartamentos pôde ver o mercado se expandir e a aplicação se valorizar.

Especialistas descartam a hipótese de bolha imobiliária e garantem que a valorização do setor é sustentável, mas deve sofrer uma desaceleração. O presidente da CMI/Secovi, Ariano Cavalcanti de Paula, explica que o aumento da demanda é crescente e esta é a principal causa da valorização dos imóveis. "A ampliação do crédito e de empregos impulsionaram o mercado imobiliário. Pudemos observar um grande crescimento na compra de imóveis e pessoas que anteriormente não tinham condição passaram a ter e adquiriram o primeiro imóvel", disse.

Na capital mineira, a valorização foi tanta que é possível encontrar um imóvel em Miami, nos Estados Unidos, até 50% mais barato do que em Belo Horizonte. Imóveis com 66 metros quadrados em região nobre podem ser comprados por US$ 195 mil (R$ 330 mil). Um imóvel com as mesmas características em Belo Horizonte custa cerca de R$ 460 mil.

De acordo com informações da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi-MG) e do Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas da UFMG (Ipead), houve valorização de cerca de 17,2% nos imóveis em Belo Horizonte. O valor médio das vendas na capital mineira de janeiro a setembro deste ano foi de R$ 226.723. No mesmo período do ano anterior, o preço médio foi de R$ 193.420. Em setembro, o valor médio dos apartamentos foi de R$ 247.016,48.

Cavalcanti não acredita na queda do setor nos próximos anos. De acordo com ele, a perspectiva é que o mercado imobiliário continue em expansão e que os imóveis continuem se valorizando. "O preço dos imóveis só deve mostrar uma estabilização somente daqui a dois ou três anos. Enquanto o equilíbrio entre a demanda e a oferta não acontece, a tendência é mesmo a valorização", garante.

O diretor comercial da MRV Engenharia, Rodrigo Resende, acredita que o segmento imobiliário não corre riscos. "O déficit habitacional é alto e quem investir em imóveis, durante um bom tempo, vai ter lucros. Ainda estamos no início do crescimento do setor e, principalmente, os empreendimentos com perfil popular tendem a valorizar ainda mais", garante.

Seguindo esse pensamento, o casal de namorados Mateus Sampaio, 27, e Branca Dobbim Vieira, 27, comprou um apartamento de dois quartos, na planta, em Betim por R$ 104 mil. A intenção do casal é vender o imóvel em dois anos e comprar outro na região Centro-Sul de Belo Horizonte. "A expectativa é de conseguir um lucro de 40% do valor do imóvel. Nós retiramos o dinheiro da poupança para investir na compra do apartamento e acreditamos que fizemos uma boa escolha", aposta.


FINANCIAMENTO
Inadimplência abaixo da média

Economistas, instituições financeiras e agentes do mercado negam que o Brasil possa viver uma bolha imobiliária e embasam a afirmação na taxa de inadimplência. Na Caixa Econômica Federal, responsável pelo financiamento de cerca de 70% dos imóveis do país, a inadimplência do financiamento habitacional está em 1,7%. A média histórica é de 5%.

De acordo com o economista Antônio Ferreira, outro fator que dificulta para que o país tenha uma crise nas proporções ocorrida com os norte-americanos são as formas de financiamento. "Faz parte das regras para o financiamento imobiliário no Brasil que o valor máximo a ser comprometido com prestações é de 30% da renda do mutuário. Além disso, o imóvel só pode ser financiado em até 70% de seu valor. Esse formato protege contra a inadimplência em grandes proporções, capaz de prejudicar diversas instituições bancárias e o próprio governo", garante.

A Faculdade Ibmec realizou um estudo sobre a Rentabilidade do setor imobiliário em Belo Horizonte. Segundo informações da pesquisa, os investimentos em imóveis entre 1998 e 2008 apresentaram maior rentabilidade dentre as demais opções de fontes de renda fixa e variáveis.
O estudo aponta um apartamento popular de três quartos como melhor investimento entre o CDI, a poupança e a Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa). O investimento perdeu apenas para as aplicações no fundo de investimentos da carteira IBX. (LM)
(Fonte-PortalOTempoOnlineBH)

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