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Alta-renda aumenta a demanda por crédito

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Os clientes de bancos na categoria de private banking, ou seja, com disponibilidade mínima de investimento raramente inferior a R$ 1 milhão, têm mostrado um maior interesse por crédito bancário. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em seu boletim trimestral.

Com isso, de julho a setembro de 2010 os clientes de alta-renda tiveram crédito concedido de R$ 3,597 bilhões, contra R$ 2,779 bilhões de janeiro a março deste ano. O número representa um crescimento de 29,44%.

"A gente vem percebendo um aumento de consulta e de pedidos de crédito para a área de private banking. Acredito que isso decorre do bom momento vivido pela economia brasileira", explica Nicolao Jannuzzi, superintendente de produtos de crédito do Private Banking do Itaú.

Na posição total do crédito concedido por categoria, o Fiança aparece com 56,6% do mercado, seguido por Outros, com 36,5%, e Imobiliário, com 6,9%. Em números, Fiança registrou crédito no montante financeiro de R$ 2,035 bilhões, enquanto Outros apresenta volume de R$ 1,312 bilhão e Imobiliário encerrou com R$ 250 milhões.

"Mesmo com o volume inferior do segmento imobiliário temos percebido um aumento. Do fechamento de crédito para alta-renda no setor imobiliário de 2009 para 2010 devemos encerrar com o dobro em volume concedido. Este tipo de cliente não tem cultura de financiar imóvel", afirma Jannuzzi, que diz ainda que o crédito imobiliário no private banking corresponde a apenas 10% da carteira de crédito.

A principal movimentação vem na categoria Fiança, em que o cliente necessita de uma garantia para realizar grandes operações. "Para muitas negociações é necessário ter uma fiança como garantia, como, por exemplo, em compra de empresas ou negócios realizados nos mercados de Bolsa de Valores", acrescenta Jannuzzi.

No último trimestre apurado pela Anbima, os investidores de alta renda aplicaram R$ 336,623 bilhões no mercado financeiro, sendo R$ 142,609 bilhões para Fundos, R$ 112,862 bilhões para Ativos de Renda Fixa, R$ 64.957 bilhões em Ativos de Renda Variável e R$ 16,195 bilhões em Outros.

"Os investidores de alta renda devem continuar com uma participação elevada no mercado financeiro, sempre de olho em oportunidades que o mercado oferece", finaliza Jannuzzi.

No comparativo de dezembro do ano passado a setembro deste ano, os investidores aumentaram suas aplicações em 15,9%, saindo de R$ 290,508 bilhões no final do ano passado, para os atuais R$ R$ 336,623 bilhões.

Dentro dos R$ 16,195 bilhões em investimentos da categoria Outros, R$ 9,743 bilhões foram destinados a Previdência Aberta, R$ 4,529 bilhões a Outros Investimentos e R$ 1,922 bilhões para a categoria Caixa/Poupança.

Entre os investimentos realizados em Fundos de Investimentos Abertos e Restritos, 60,9% aplicaram seus recursos em fundos abertos, enquanto 39,1% investiram em fundos restritos. Dentro do percentual de Fundos Abertos, 72% vieram de investimentos dos proprietários, e 28%, de terceiros.

No total de private investido em fundos, 51,8% preferiram aplicar em Multimercados, com volume financeiro de R$ 73,849 bilhões, seguido do Curto Prazo / Referenciado DI, com participação de 16,4% e montante financeiro de R$ 23,395 milhões. A terceira categoria a receber mais investimentos foi Renda Fixa, com 13,1% de participação e volume financeiro de R$ 18,673 bilhões.

Na distribuição do Patrimônio Líquido por Domicílio, São Paulo aparece em primeiro entre os clientes de private banking, com 56%, com volume financeiro de R$ 189,620 bilhões, seguido por Rio de Janeiro, com participação de 18%, com montante financeiro de R$ 61,024 bilhões. Em terceiro aparece a Região Sul, com volume de R$ 42,201 bilhões e participação de 13% no total. O segmento é considerado um dos mais promissores no mercado, por causa do retorno de recursos que estavam no exterior.

Maior crescimento
O Brasil tem um dos mercados de private banking que mais crescem no mundo. As projeções são de que o crescimento no País ficará em 21% em 2010, ante 6% a 7% projetado para o contexto global. Esse segmento deve encerrar este ano com US$ 45 trilhões em ativos, segundo estimativas da Booz & Company. A projeção é de que existam 10,5 milhões de milionários no mundo.

O Brasil, junto com os outros países que formam o BRIC (Índia, Rússia e China), tem registrado crescimento do número de milionários, influenciado por fatores como crescimento da economia, vendas de empresas familiares a sócios estratégicos e aberturas de capital de companhias. O continente europeu concentrava 35% dos recursos dos investidores de alta renda do planeta em 2002. Este ano, o percentual caiu para 28%. A Ásia, por sua vez, subiu de 26% para 31%. Os Estados Unidos mantiveram a participação de 31%.

Para 2011, a projeção é de que os ativos dos milionários atinjam a marca de US$ 49 trilhões. A crise financeira mundial teve impacto nesse mercado. Por causa da queda dos preços dos ativos, os recursos dos milionários encolheram: baixaram de US$ 42 trilhões em 2007 para US$ 35 trilhões no ano seguinte, que marcou o auge da crise e das perdas.

Considerando um mercado ainda mais seleto, os bilionários, o estudo da Booz & Company indicou que existem 1.011 pessoas com mais de US$ 1 bilhão no mundo, ante 538 em 2001. Esse grupo tem nada menos que US$ 3,6 trilhões em patrimônio.(DCI/AgenciaEstado)

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