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Mercado imobiliario: As mudanças e os desafios

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Na virada do século o mercado imobiliário mirava sua artilharia em empreendimentos voltados para as classes A e B que buscavam unidades de três ou mais dormitórios em regiões nobres das grandes cidades.

Naquela época a movimentação do setor tinha outra dinâmica, não só por trabalhar apenas com duas faixas de renda, mas também por não haver tanta demanda, o crédito ser escasso, a velocidade nas vendas ser baixa, e as opções ao consumidor, mirradas.

A partir de 2004, com o indício de uma era de estabilidade econômica e ampliação ao crédito, a classe média surge como potencial compradora.

Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas-RJ a classe média brasileira subiu 18,72% de 2004 para 2008, um crescimento de 4% ao ano acima do da classe A B.

Dessa forma, o mercado dá início a uma transformação que mudaria toda a cadeia de negócio imobiliário brasileiro e selaria seu futuro. Afora o boom, a partir de 2005, da corrida à Bolsa, as empresas começam a disponibilizar no mercado lançamentos residenciais, principalmente nas regiões metropolitanas das grandes cidades brasileiras, a uma velocidade nunca vista antes.

O perfil do imóvel também se altera, e as unidades de dois ou três dormitórios em regiões centrais surgem a um preço mais acessível e com melhor qualidade de áreas de lazer.

Contudo, os grandes déficits ainda estavam nos empreendimentos de renda familiar até 10 salários mínimos divididas em 2 faixas: a faixa salarial entre 3 e 10 salários mínimos e a faixa salarial entre zero e 3 salários mínimos, mas conseguir incorporar empreendimentos voltados a esses perfis na periferia de importantes cidades brasileiras era economicamente inviável.

Foi apenas com a crise econômica mundial no segundo semestre de 2008 que o mercado imobiliário teve a chance de entrar nos segmentos com maior déficit habitacional e consequentemente com maior oportunidade de negócio.

Por meio de incentivos de financiamento, o mercado conseguiu dar novo fôlego a empreendimentos entre R$ 75 mil e R$ 150 mil, e mais uma vez se reinventou.

Estima-se que esses incentivos sejam responsáveis por 90% do total de unidades lançadas em 2010 na região metropolitana de São Paulo.

Agora, no início do segundo boom imobiliário em menos de cinco anos, a grande questão que norteia esse novo mercado tem sido o quanto o País está preparado para atender a demanda.

A preocupação não se resume apenas a falta de mão de obra qualificada, mas também a insumos.

Até aqui as incorporadoras e construtoras sentiram o consumidor, testaram estilos de vendas, aprenderam a lidar com novos conceitos e adequar empreendimentos, e se encantaram com a velocidade das vendas que chegam a comercializar 90% de um empreendimento de quase 300 unidades em apenas dois dias. Nesse cenário, a superação dos desafios é uma verdadeira corrida contra o tempo. No primeiro semestre de 2010 as incorporadoras aproveitaram para alinhar todo o conhecimento adquirido em seis meses de novas ofertas, entregar empreendimentos e fazer projetos que deverão ser lançados a partir de agosto.

Agora, irá ganhar quem conseguir construir com melhor custo-benefício, selar parcerias estratégicas, procurar oportunidades fora dos grandes centros, evitar a canibalização da mão de obra que pode levar à escassez da mesma e continuar a investir na classe média, mantendo o padrão e a atratividade. Estes serão apenas alguns dos muitos desafios que deverão sacudir o setor neste final de ano.

O certo é que o mercado imobiliário nunca esteve tão aquecido como agora. Com a meta de construir 1 milhão de moradias até 2011, o mercado poderá chegar a 720 mil até o fim de 2010, e, caso isso aconteça, o setor verá a utopia dos anos 90 tornar-se realidade, e a população finalmente terá conquistado o sonho da casa própria. (Luiz Armando Fairbanks-DCI)

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