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Natal é um mercado estratégico e promissor

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

NATAL - Vice-presidente da Brasil Brokers considera Natal um mercado estratégico e prevê novos investimentos
O carioca Julio Piña é vice-presidente do Grupo Brasil Brokers, maior grupo de intermediação imobiliária da América Latina. Formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, com mestrado em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de janeiro (PUC-RJ) e cursos de extensão nas instituições de ensino Kellogg Business School, nos Estados Unidos, e Insead, na França. O Grupo Brasil Brokers é formado por 23 empresas, que atuam em 15 Estados brasileiros. Em 2008, a Brasil Brokers contabilizou 55,6 mil unidades vendidas, correspondendo a um valor de R$11,7 bilhões de vendas contratadas. Além disso, o grupo lançou 85,2 milhões de unidades, em todo o país.
Como é a atuação do Grupo Brasil Brokers?
A Brasil Brokers é o maior grupo de intermediação imobiliária da América Latina. Hoje contamos com 23 subsidiárias, atuamos em 15 estados, estamos presentes em mais de 120 municípios, temos mais de 8.500 corretores, em 921 pontos de venda no Brasil. Atuamos em todos os segmentos da área imobiliária, o que compreende os lançamentos, imóveis prontos e usados. Nós passamos a ser uma companhia de capital aberto em 29 de outubro de 2007, assim, estamos completando agora o segundo ano de atuação dessa forma, já tendo a liderança na área imobiliária, na América Latina. De forma resumida, isso é um pouco do panorama do que é a Brasil Brokers, que tem como uma de suas subsidiárias, a Abreu Imóveis, um dos destaques da companhia, sediada em um dos mercados mais importantes para a gente, porque Natal tem um mercado que está crescendo muito, depois de ter andado meio morno por algum tempo. O mercado de Natal estava para explodir o tempo todo e agora, efetivamente, estamos sentindo em nível nacional, mas especialmente aqui em Natal, um grande interesse por parte dos incorporadores de fazer os lançamentos imobiliários e nós temos aí uma expectativa de lançar mais de R$ 3,5 bilhões, nos próximos 12 meses. Ou seja, é um número muito significativo de volume de lançamentos, em uma cidade como Natal.
O senhor pode explicar em que consiste a intermediação imobiliária?
É a corretagem imobiliária. Nós vendemos imóveis, da seguinte forma: você tem um imóvel para vender e eu tenho um comprador, então eu realizo essa intermediação. Mas quando se fala em intermediação imobiliária, cabe uma série de outros serviços também e, além da própria compra e venda específica de imóveis, nós também prestamos serviços acessórios, como assessoria no processo de crédito imobiliário, toda a assessoria jurídica durante o processo da compra ou da venda do imóvel, ajudamos os nossos incorporadores a definir um produto, a aprovar um projeto e a definir toda a campanha de marketing de um lançamento. Então, é um conjunto de assessorias que a gente presta para o cliente, como parte de todo o serviço de intermediação imobiliária.
Até o final do ano passado, o setor de imóveis estava sofrendo muito com a crise financeira mundial. O senhor considera que o período mais crítico já passou ou a crise ainda está afetando o setor?
A crise financeira no Brasil, realmente nem de perto foi o que aconteceu em outros países. Especificamente para o mercado imobiliário, eu diria que essa crise teve reflexos mais relevantes durante quatro meses. Começou em outubro de 2008, quando começamos a sentir uma queda nas vendas, depois vieram janeiro e fevereiro, que são tipicamente meses nos quais as vendas são baixas, devido à sazonalidade, e a partir de abril deste ano o mercado já começou o processo de recuperação. Então, esta é uma crise que, tecnicamente, deve ter durado em torno de quatro a cinco meses, o que podemos considerar um período bastante curto. Eu diria que agora já estamos vendo claramente que o mercado voltou com força. Dessa forma, para o mercado imobiliário, a crise foi branda e a gente está vendo os volumes de venda voltarem agora com bastante intensidade, praticamente aos mesmos níveis dos melhores meses pré-crise e estamos esperando um segundo semestre muito bom e um ano de 2010, provavelmente, melhor ainda, porque o próximo ano não vai ter um primeiro trimestre fraco, como foi o de 2009, quando ainda sofríamos os efeitos da crise.
O que mudou, para que o mercado tomasse esse novo fôlego?
Algumas coisas. Bom, existem alguns fatores macro-econômicos e outros micro-econômicos. Dentre os mais relevantes e que não dizem respeito especificamente a Natal, mas ao mercado imobiliário como um todo, primeiro é a questão da queda das taxas de juros, que funciona em dois sentidos, ajudando o comprador, pela prestação ficar menor e cabendo mais no orçamento, além de também incentivar o investidor a sair do ativo financeiro e buscar um outro tipo de ativo, que possa ter mais rentabilidade. Por essas razões, os investidores voltaram com muita vontade a procurar os imóveis como um ativo real, que possa produzir uma rentabilidade melhor do que as aplicações financeiras que eles tinham. Seja esse um ativo imóvel de lançamento, que o investidor espera ter rentabilidade com a valorização ou com um que ele compre já pronto, usado, no qual investe para obter renda de aluguel e, por isso, os imóveis comerciais passaram a ser coqueluche, sendo bastante procurados com esse fim. Mas isso não é exclusividade dos comerciais e ocorre também com imóveis residenciais. Enfim, esse é o fator conjuntural. Só que teve também outro fator muito importante, que foi o programa do Governo Federal Minha Casa, Minha Vida, pois através dele muitas pessoas que não tinham acesso a imóveis passaram a poder comprar, o que está ajudando não só o segmento de baixa renda, mas também os segmentos voltados para as demais faixas de renda, por gerar um efeito multiplicador de interesse, entre os compradores de imóveis. E, com relação a Natal especificamente, era um mercado que tinha muito espaço para crescer e ainda não tinha acontecido com o volume de lançamentos que seriam compatíveis com a cidade. Atualmente, com o mercado voltando a ter as condições de economia favoráveis, os incorporadores estão muito encorajados a desenvolver produtos, após terem percebido que o mercado ainda tem muito espaço para crescimento.
O senhor pode dar algum exemplo do que essa retomada provocou, na prática, para o mercado imobiliário?
Podemos comparar o primeiro trimestre deste ano, quando estávamos no fundo do poço da crise, com o segundo trimestre, que já mostra uma evolução. O nosso lucro aumentou 116% no segundo trimestre de 2009, em comparação com o primeiro. Mas acredito que o aumento de 33% nas vendas e de 32% no número de unidades vencidas é o que pode dar um real panorama da atividade, desde o início do ano.
Qual a avaliação que a Brasil Brokers faz dos negócios no Rio Grande do Norte?
Por enquanto, o nosso foco principal é Natal e as cidades da região metropolitana. Acreditamos que este é um mercado estratégico, com muito espaço de crescimento, além de ter uma característica geográfica privilegiada, pela proximidade com a Europa e a frequência de voo, pelo tipo de interesse que despertou em potenciais compradores de imóveis em outros países, evidentemente no período pré-crise, pois vemos que com a crise sendo forte na Europa, o interesse diminuiu muito na capital potiguar, mas isso vai voltar em algum momento. Então, esse mercado é estrategicamente posicionado para atrair compradores de imóveis de Natal e também de fora da cidade, tanto do Brasil quanto de outros países e isso é uma questão de tempo. A crise afastou um pouco os europeus, mas gradualmente eles vão retornar e já estamos discutindo empreendimentos que tem uma parte destinada a ser vendida para o público europeu. É muito diferente do que acontece no Rio de Janeiro, em Salvador, em Belém, por exemplo, porque Natal é um pólo de atração turística importante, com diferenciais que já citei, relativos à distância, além das belezas naturais.
Quais as expectativas da Brasil Brokers para os próximos meses, no mercado de Natal?
Temos a projeção de dobrar a força de venda da Abreu Imóveis, até o final de 2009. Hoje temos cerca de 200 corretores e esperamos chegar a um número entre 350 e 400 corretores, o que significa que estamos abertos a profissionais que enxerguem o mercado imobiliário com uma perspectiva de carreira.
Como os planos de crescimento da Abreu Brokers podem beneficiar a capital potiguar?
A geração de empregos é inequívoca, pelo setor imobiliário ser o mercado que mais emprega no Brasil, que movimenta várias atividades acessórias, pois ao comercializar imóveis, também se movimenta todas as indústrias que fornecem insumos para a construção civil, desenvolvendo outros tipos de prestação de serviços. Enfim, a atividade gera empregos o tempo todo e isso certamente é uma maravilhosa notícia para Natal e para o mercado imobiliário do Rio Grande do Norte como um todo, por termos a possibilidade de gerar uma grande quantidade de empregos, aumentando a renda e fazendo com que essas próprias pessoas que passarão a ser empregadas a partir deste aumento do fluxo, sejam também potenciais compradoras de imóveis.
Com relação ao mercado imobiliário Nacional, qual o maior foco atualmente, o consumidor interno ou internacional?
O Brasil tem um mercado interno muito forte, robusto, e foi graças a essa característica que o país não sofreu um efeito tão sério da crise econômica. Dessa forma, quase a totalidade do mercado imobiliário do país é voltado para os próprios brasileiros, com algumas exceções e aí podemos citar Natal, que tem uma parte do seu mercado orientado para os estrangeiros e, como já foi mencionado, em função da crise isso arrefeceu um pouco, mas estamos certos de que dentro de alguns anos eles voltarão.
Parte da população de Natal costuma dizer que quando os estrangeiros passam a comprar muitos imóveis na cidade, o valor termina por ficar alto para os natalenses. O senhor concorda com esse pensamento?
Acho que não. Acho que esse raciocínio não deve se configurar na prática, já que os mesmos produtos estarão sendo oferecidos para os dois públicos e sabemos que quando aumenta a competitividade, a tendência é que o preço diminua. O que aconteceu recentemente foi que os estrangeiros vieram com muito dinheiro e compraram bastante imóveis aqui na capital, durante um período em que os brasileiros não estavam com tantos recursos e, por isso, espantou um pouco o mercado consumidor local. Acredito que Natal só teve a ganhar com a vinda dos estrangeiros, que colocaram a economia do lugar em um patamar mais elevado. Além disso, acho que agora com esse aumento significativo da oferta, não haverá espaço para uma disparada nos preços, porque se há aumento na oferta é necessário vender e, assim, o mercado se auto regula. Além disso, como hoje os estrangeiros definitivamente não são preponderantes, acho que esse aumento nos preços não vai ocorrer.
Aqui na capital há uma certa contestação dos empresários do setor, pelas dificuldades em se articular com os órgãos ambientais. Como o senhor analisa essa situação?
O problema de aprovação de projetos, eu diria que sempre existe no Brasil inteiro e não vejo que há generalizadamente dificuldade de relacionamento com os órgãos ambientais ou com as prefeituras, enfim, com os órgãos reguladores. O que percebo é que algumas prefeituras são mais travadas, ou pior organizadas com relação a isso. Entretanto, até onde eu sei, este não é exatamente o caso de Natal, que em 2009 passou a permitir aprovações de projetos de uma maneira muito mais rápida do que anteriormente. Hoje, o que está prevalecendo aqui em Natal é o bom senso, o equilíbrio, a eficiência, então acho que isso é mérito dos governos municipal e estadual, por estarem entendendo que o mercado imobiliário não é uma ameaça, que ninguém aqui vem para derrubar árvore pura e simplesmente. Mas nós chegamos para desenvolver projetos que melhorem de forma excepcional a qualidade de vida do povo, possibilitando que pessoas que hoje moram em habitações com qualidade muito baixa sejam levadas para conceitos novos de habitação, como os condomínios clube. Em alguns deles, o apartamento custa entre R$ 80 mil e R$ 100 mil, com piscina e quadra de futebol, por exemplo. Imagina se isso existia na vida desse cliente, anteriormente. Definitivamente, houve uma revolução no setor.

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