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Setor imobiliário vende 80% a mais no segundo trimestre

sexta-feira, 21 de agosto de 2009


SÃO PAULO - O término da temporada de divulgação dos resultados do segundo trimestre das componentes do setor imobiliário na BM&F Bovespa concretizou algumas convicções, eliminando parte das dúvidas que atormentavam as incorporadoras desde a secura de crédito e o efeito psicológico da crise há alguns meses.

Uma delas é o sucesso do plano do governo para o retorno do ritmo de vendas. Outra é que as estimativas dos analistas estavam pessimistas, tendo em vista as diferenças acentuadas dos números contra o consenso do mercado. Por parte das empresas, o ar conservador foi se esvaindo e novos projetos voltaram ao pipeline.

Segundo levantamento, a indústria de construção realizou lançamentos gerando um total de VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 4,915 bilhões no período, um avanço de 115% na comparação com os primeiros três meses do ano. As vendas contratadas cresceram 80%, somando R$ 6,619 bilhões.

Embora o avanço nos demonstrativos das companhias voltadas ao cliente da baixa renda - unidades até R$ 130 mil -, símbolo do programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida", seja mais imponente, executivos enfatizam que o vigor da demanda é generalizado. Na somatória, o setor lucrou R$ 673 milhões, um salto de 50% ante o primeiro trimestre.

Novos projetos
A expansão significativa da comparação com o início do ano revela também o grau de conservadorismo de outrora. Àquela época, oito das 20 incorporadoras de capital aberto optaram por não anunciar novos projetos. De abril a junho, foram cinco ainda se mostrando reticentes com o nível de demanda por moradias.Por pouco tempo. "Durante o segundo trimestre ainda mantivemos o foco na gestão do caixa e redução de estoques, o que viabiliza a retomada dos lançamentos no segundo semestre", adianta a carioca CR2 Empreendimentos, ressaltando um ambiente de crédito mais normalizado e o funcionamento de linhas da Caixa Econômica Federal.


"Atingimos um nível de estoque bastante saudável, o que traz conforto à administração em voltar a realizar novos lançamentos. A partir do segundo semestre, retomaremos nossa velocidade de lançamentos com destaque para nosso braço de baixa renda, a Asa, que se prepara para lançar R$ 400 milhões", diz a Agra Incorporadora.

Segundo a equipe do Citigroup, as incorporadoras que fazem parte de seu universo de cobertura (Brookfield, Cyrela, Gafisa, PDG, Rodobens e Rossi) apresentaram expectativa de persistência da elevada demanda por imóveis por muitos anos. Muitas, inclusive, revelaram a intenção de obter financiamento via dívida.

Velhas metas

"Mantemos nossa visão positiva para o setor de construção civil no Brasil, principalmente para 2010, quando esperamos que a economia inicie a recuperação. Além do expressivo déficit habitacional, destacamos o nível reduzido da Selic", opina o Banif, que vê mais vantagens para quem está focado no segmento econômico.

Falando em ano que vem, a publicação dos balanços veio acompanhada de algumas manifestações sobre guidance. Sim ele está de volta, mas aparentemente menos badalado. "A tendência de retomada do mercado, ainda que sem a euforia anterior, parece-nos em processo claro de consolidação, em adição a uma postura mais cuidadosa por parte das maiores empresas do setor", afirmou a administração da Even.

A Cyrela disse que as estimativas para 2009 representam resultados semelhantes aos obtidos no ano passado. Para este ano, a meta é de lançamentos entre R$ 4,6 bilhões e R$ 5,1 bilhões. E entre R$ 6,9 bilhões a R$ 7,7 bilhões para 2010. Já a Tecnisa revisou o guidance para o intervalo de R$ 1,8 bilhão a R$ 2 bilhões neste ano. E de, no mínimo, R$ 2 bilhões para o ano que vem.

A Construtora Tenda também aproveitou o momento para reiterar a projeção de vendas contratadas de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,6 bilhão e margem Ebitda (geração operacional de caixa sobre receita líquida) entre 14% e 16%. A estratégia é dar maior visibilidade aos investidores. "Estamos em um trabalho para reforçar a imagem da empresa no mercado. Não tem nenhum trabalho de RI que seja mais efetivo que a própria entrega de resultados", disse em entrevista à InfoMoney, diretor de Finanças e Relações com Investidores, Paulo Mazzali.

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