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Usados estão até 30% mais caros em Salvador

terça-feira, 21 de julho de 2009

Os lançamentos imobiliários que aqueceram o mercado de imóveis novos em Salvador provocaram reflexos no mercado dos usados também. Facilidade de acesso ao crédito, maior prazo de pagamento e juros menores permitiram o acesso de uma parcela da população ao mercado, antes dominado por empreendimentos de alto-padrão. A alta demanda, segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), provocou nos últimos dois anos a valorização de 30% em média dos imóveis usados na cidade, percentual que pode ser ainda maior em alguns bairros.

SALVADOR / BA - O presidente do Sindicato da Habitação (Secovi), Sérgio Sampaio, diz que a facilidade de acesso ao crédito favoreceu especialmente a classe média, pessoas que procuram imóveis entre R$ 100 mil e R$ 200 mil. “Tem muita gente que comprou imóveis novos e pretende se desfazer do antigo, enquanto para outras pessoas, estes imóveis são uma opção mais barata, confortável e viável”, explica.

O segundo-vice-presidente do Creci, José Alberto Oliveira, explica que os imóveis usados vêm sendo procurados especialmente por quem não tem condições de pagar a prestação da poupança prévia e o aluguel ao mesmo tempo. “Antes, as pessoas tinham acesso a um crédito menor, porque os juros elevavam o valor das prestações. Com isso, o imóvel que o trabalhador tinha condições de pagar não era aquele onde ele gostaria de morar. Hoje, a pessoa tem um maior poder de compra e encontra nos usados a melhor opção”, disse.

Em alguns bairros, como Cabula e Pituaçu, segundo José Alberto, a valorização é ainda maior porque a procura nestes locais está superando, em muito a demanda de imóveis vazios. Este é o caso da artista plástica Cristina Queiroz, que há dois anos procura por um imóvel em bairros como Brotas e Federação. “Procuro um imóvel de três quartos e sei que com o espaço e conforto que eu procuro, só encontraria um novo de alto luxo, e isto está fora da minha realidade financeira”, comenta.

A artista plástica diz que além de estar fora de seu orçamento, os imóveis compactos que são oferecidos pelo mercado imobiliário não a interessam. Uma das maiores dificuldades de Cristina, porém, vem sendo o preço dos imóveis. “Tenho a entrada aplicada, mas o rendimento da minha aplicação não acompanha a valorização do mercado imobiliário, por isso hoje vou precisar contratar um financiamento muito maior se quiser comprar o mesmo imóvel que eu vislumbrava há dois anos”, relata.

Segundo Oliveira, do Creci, considerar a valorização de 30% dos imóveis usados ainda é uma posição conservadora. Isso porque, de acordo com ele, nestes bairros onde a procura é maior, a valorização também acompanha a demanda de mercado.

O gerente de habitação da Caixa Economica Federal, Adelson Prata, comenta que este ano, 55% dos financiamentos concedidos pelo banco até agora foram para imóveis usados. O percentual é pouco menor que a média registrada em 2008, quando 60% das cartas de crédito foram para imóveis que já existem. Isso porque, em 2009, foram entregues as primeiras unidades construídas a partir do boom imobiliário.

Do início do ano até agora, a Caixa emitiu R$ 178 milhões em cartas de crédito só para a capital baiana. Cerca de 80% destes empréstimos foram em cartas de crédito de até R$ 130 mil. “Esta é a faixa de renda onde se concentra o maior déficit habitacional”, comentou Prata.
ATarde

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