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Minha Casa, Minha Vida: procuram-se imóveis de até R$ 100 mil

segunda-feira, 20 de julho de 2009

SALVADOR / BA - A forte procura por imóveis, motivada pelo Minha Casa, Minha Vida, também gerou uma nova realidade no mercado imobiliário. Atualmente, são poucas as unidades de até R$ 100 mil - valor teto do programa - à venda na capital baiana.
A procura maior que a oferta valorizou o metro quadrado dos imóveis, proporcionando dificuldades para quem busca uma unidade abaixo do valor citado.
Nas imobiliárias, acumulam- se os pedidos por unidades nesta faixa de preço. Porém, até para os corretores, profissionais que fazem praticamente tudo para fechar mais um negócio, a tarefa não tem sido fácil. Nem novos, nem usados. A escassez é geral.
Empurrados pelo boom que houve no setor nos últimos anos, apartamentos que eram comercializados entre R$70 mil e R$80 mil hoje já chegam a ultrapassar a casa dos R$130 mil, deixando muita gente na mão. “O grande complicador de mercado é que há poucos imóveis nessa faixa de preço. Nossa expectativa é de que as empresas aumentem a oferta”, disse o gerente de negócios da Caixa Econômica Federal (CEF), Adelson Prata.
Via-Crúcis
Quem percorre essa via-crúcis há mais de dois anos é a servidora pública Lília Rejane Fortuna, 36 anos. Em maio de 2007, ela iniciou a busca em sites de imobiliárias e classificados dos jornais e, até hoje, não conseguiu fechar negócio.
A ideia era encontrar um apartamento de 2/4, com boa localização e estado de conservação, e que custasse até R$ 70 mil. O tempo avança e, em vez de ver se aproximar do sonho da casa própria, ela assiste ele se distanciar. “Daquele período para cá só tem aumentado. Quando pretendia gastar, no máximo R$70 mil, encontrei um imóvel por R$90 mil na Paralela. Tempos depois, aumentei o teto para R$90 mil, mas o imóvel em questão passou a ser vendido acima de R$120 mil”, conta Lília Fortuna.
Dificuldade
A dificuldade é geral. Das 5.079 cartas de crédito de até R$100 mil emitidas pela Caixa Econômica Federal (CEF) este ano, 590 delas não se transformaram em financiamento. Ao longo de todo ano de 2008, foram emitidas 5.795 cartas de crédito e, deste montante, 4.693 se transformaram em contratos efetivados.
Entre as causas que impedem a consolidação do financiamento está a dificuldade de encontrar um imóvel com valor compatível ao que o bolso pode pagar. “Muita gente já veio me procurar com carta de crédito na mão de até R$100 mil. Só que esta não é uma tarefa fácil. O mercado jogou o preço para cima. A lei é assim, se há procura grande, o preço aumenta”, avalia o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci/BA), Samuel Prado. O desafio de encontrar o imóvel nessa faixa de preço é vivenciado por quase todos os profissionais da área de corretagem.
Espera
Proprietário de uma imobiliária, Ricardo Gonçalves diz que é “extremamente” difícil atender aos pedidos destes clientes e que a busca costuma durar, em média, seis meses.
“Os apartamentos médios estão acima de R$150 mil. Muita gente nos procura, mas nem sempre é possível atender”, contou o corretor. Depois de dois anos de buscas em vão, o gerente comercial Marcelo Veimrober decidiu aumentar o teto de R$70 mil para R$80 mil. Mesmo assim, a situação continua complicada. “Os brasileiros adoram tirar proveito das coisas. É só ver que tem muita gente procurando que os preços sobem”, considerou o gerente comercial, que não vê a hora de ficar livre do aluguel.
Pesquisa aponta perfil
Pesquisa encomendada pela Ello Imóveis com um público com renda familiar de R$1.500 a R$4.900 mostrou que 56% das famílias que querem adquirir um imóvel entre R$60 mil e R$200 mil, que se enquadram nas categorias supereconômico e econômico, preferem casa.
Os que elegem apartamento somam 39% . Os demais, optaram por village, terreno ou cobertura. O estudo mostrou ainda que 44,2% preferem os imóveis de 3/4 e os bairros mais procurados são Brotas, Itapuã, Cabula, Imbuí e Paralela.
Além disso, 48,4% desejam receber logo o imóvel. Contudo, o que impede a realização do sonho é a falta de renda suficiente para pagar em um curto espaço de tempo. Para o proprietário da empresa, José Azevedo Filho, que é diretor de habitação da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), o que mais chamou a atenção foi o fato da segurança ter passado a ser considerado um item tão importante quando a localização no desejo de compra desse público.
Das empresas associadas à Ademi, apenas 40% ofereciam produtos para a classe econômica. Contudo, a expectativa do diretor de habitação da entidade é que esse percentual aumente significativamente, principalmente por conta do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida.
Devedores terão imóveis confiscados pelo município
Imóveis abandonados ou com dívida fiscal com o município a partir de três anos estão na mira da prefeitura. A administração municipal já começou a realizar um levantamento para identificá-los e, em seguida, irá destiná-los a programas de habitação social, incluindo o Minha Casa, Minha Vida.
A medida, de acordo com o vice-prefeito, o tributarista Edvaldo Brito, atende ao Código Civil. “A legislação prevê o direito de arrecadação de imóveis em que o proprietário não exerce o direito de propriedade e também daqueles que possuemônus fiscal com o município”, explica o vice-prefeito.
A estimativa da administração municipal é de que existam, aproximadamente, 100 mil imóveis inadimplentes. Ainda de acordo com Edvaldo Brito, o levantamento deve ficar pronto este mês e, em seguida, o município se apossará das unidades que se enquadram na legislação.
“Em muitos casos os imóveis já estão em ruínas. Portanto, serão derrubados e transformados em terrenos livres para edificação”, destaca Brito, que aposta na medida como uma das formas de reduzir o déficit habitacional na capital baiana. Proprietários de imóveis que se encaixam no perfil podem reverter a situação quitando as dívidas.
Estados terão cadastro único para Minha Casa
O governo federal deve determinar, a partir do dia 10 de agosto, que cada estado tenha um cadastro único das pessoas interessadas em aderir ao programa Minha Casa, Minha Vida. Com isso, será possível regulamentar, de forma mais eficiente, e de acordo com as faixas de renda das famílias, a adesão da demanda existente.
CEF já recebeu 14,6% dos projetos para programa
Nos primeiros 100 dias do programa, a Caixa Econômica Federal recebeu projetos para construção de 145.680 unidades habitacionais para as famílias com renda de até 10 salários mínimos. Isso representa 14,6% da meta de construir um milhão de moradias.
De acordo com o último balanço, a instituição já cadastrou 763 propostas de empreendimentos, que totalizam quase R$9 bilhões. A maior parte dessas propostas ainda está em fase de análise, mas 134 já foram contratadas pela Caixa, o que representa financiamento para 18.687 moradias.
Nos primeiros três meses, a Caixa quintuplicou o número de empresas da construção habilitadas a operar no programa. Até 30 de junho, eram 2.244. Depois que foi adotado um sistema simplificado de cadastramento, 9.636 novas empresas foram incluídas.
Expo Construção 2009 espera mais de 30 mil visitantesA Expo Construção Bahia, que acontecerá de 18 a 22 de agosto, no Centro de Convenções, deve superar as marcas de 30 mil visitantes e R$60 milhões em negócios gerados, resultados da edição 2008. Os organizadores preveem um aumento de 15% no fechamento de contratos. O evento conta com 250 empresas expositoras.
Dicas para conseguir uma imóvel
1. Foque a busca em áreas mais afastadas, sem muito apelo comercial. Diferentemente dos bairros tradicionais, nos mais antigos e centrais, os imóveis também costumam ser mais acessíveis
2. Quanto menos serviço o imóvel oferecer, maiores são as chances do custo dele ser menor. A maior parte dos imóveis de até R$100 mil com boa localização não possui elevador.
3. Procure a ajuda de um corretor imobiliário. Como ele lida com os negócios no dia-a-dia, vai facilitar bastante a busca.
4. É bom esperar. Com o Minha Casa, Minha Vida, muitas construtoras prometem oferecer imóveis populares.
5. Defina o perfil do imóvel que vai comprar para evitar gastar tempo e energia visitando o que não lhe interessa.
(notícia publicada na edição impressa do CORREIO)

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