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Corretores surfam na onda do boom imobiliário

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Cristina Horta/EM/D.A Press
Paulina Ferolla coordena uma equipe de 14 pessoas que, apenas nos últimos 90 dias, vendeu em média 10 apartamentos por mês


A resistência do mercado imobiliário à crise econômica global está fazendo a festa dos corretores de imóveis, que viram os seus ganhos se multiplicarem desde o início do ano. Puxada pela redução dos juros, pelo aumento de linhas de crédito disponíveis no mercado e pelo programa Minha casa, minha vida, a velocidade de venda de apartamentos, lotes e casas deu um empurrão na remuneração desses profissionais que, em alguns casos, chegou a triplicar do fim do ano para cá.


Paulo Tavares, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG), afirma que hoje um corretor inexperiente consegue tirar, em média, entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil ao mês em Belo Horizonte e região metropolitana. Segundo ele, profissionais mais gabaritados não fecham o período com comissões inferiores a R$ 5 mil – também na média –, mas há casos em que o valor chega a R$15 mil. “Os ganhos cresceram muito comparados com o início do ano passado, quando um corretor experiente conseguia faturar entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil”, sustenta.


O avanço na remuneração dos profissionais de vendas de imóveis também multiplicou a demanda por credenciamento junto ao Creci. De janeiro a julho deste ano, 330 estagiários se inscreveram no órgão, ante 106 em igual período do ano passado. O crescimento foi de 68%. A carteira de estagiário é uma alternativa para aqueles que, de olho nessa boa fase, têm pressa de entrar no mercado imobiliário antes de concluir os cursos de técnico em transação imobiliária ou gestão de negócios, que dão direito à carteira definitiva de corretor de imóveis.


Roberto dal Zuffo trabalha como corretor de imóveis da MRV desde outubro do ano passado. Fez estágio na central de vendas da construtora em novembro quando, apesar da crise, emplacou dois imóveis. Em dezembro, foram três. “Mas com o Minha casa, minha vida, o mercado bombou”, resume. O programa, lançado pelo governo federal há pouco mais de três meses, imprimiu velocidade de cruzeiro às vendas da construtora.


Liquidação

Rodrigo Colares, diretor comercial da empresa, comemora. Ele conta que a MRV planejava vender as 1.200 unidades do residencial Mundi, no Bairro Camargos, em um ano. Acontece que em apenas 75 dias foram vendidos 900 imóveis. “Agora, esperamos liquidar o empreendimento em no máximo quatro meses”, calcula. O corretor Dal Zuffo surfa no alto dessa onda. Em abril ele vendeu quatro apartamentos, número que se manteve em maio e em junho saltou para sete. Com isso, seus rendimentos no mês passado mais que triplicaram em comparação com novembro de 2008. “Estou me capitalizando para reformar a minha casa. O mercado imobiliário proporciona ganhos altos, muitos corretores faturam mais que médicos, porém tudo depende do empenho pessoal”, acredita.


O bolso dos corretores que trabalham com imóveis cujos valores estão no meio do caminho entre o limite da baixa renda e a faixa de até R$ 500 mil também está tinindo. Paulina Ferolla Vallandro do Valle, que hoje é gerente da Gribel Pactual, trabalhou 26 anos como bancária e foi demitida em 2007. Contratada para o posto de corretora há um ano, mergulhou de cabeça e não se arrepende. Com apenas nove meses de casa, foi promovida e hoje comanda um grupo de 14 pessoas. “Tirei o Creci e assumi para valer a profissão de corretora”, declara. Nos últimos 90 dias, segundo ela, sua equipe vendeu, em média, 10 apartamentos ao mês.


Alexandre Gribel, vice-presidente de lançamentos da empresa, confirma que as vendas estão boas. Orgulha-se de ter escolhido a profissão de corretor de imóveis há 22 anos e conta que seis meses depois já tinha comprado um carro. “Trata-se de um mercado que paga bem, mas onde se trabalha muito. Para ser corretor, é preciso organização e contabilidade anual. Em alguns meses você não vai faturar e em outros vai faturar muito”, diz. Ainda segundo ele, a crise não passou pela Gribel. “Temos corretores com comissionamento de R$ 160 mil a R$ 170 mil ao ano. Isso sem contar as premiações”, orgulha-se.

Zulmira Furbino - Estado de Minas

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